Cronica duma viagem a Tomar, Novembro de 2017 Sexta, 26 de Janeiro de 2018 – Posted in: AGEA Editora – Tags: , , , ,

Continuando o precedente estabelecido por «Cronica duma viagem a Lisboa» em Novembro de 2016, vimos cá fazer a crónica da última viagem a Portugal efetuada por membros da equipa da AGEA Editora os dias 10 e 12 de novembro de 2017. Nesta ocasião a delegação esteve conformada por Manuel Valle Ortiz, Ton Puey (da Academia da Espada) e Diniz Cabreira (da Arte do Combate).

Na ida fizemos uma primeira parada estratégica em Ponte de Lima para render homenagem à mãe do «Processo», Teresa Henriques. Aproveitamos, também para repor forças atacando com gana a primeira porção de bacalhau da nossa viagem.

De caminho para Tomar fizemos uma breve parada na biblioteca da Universidade de Coimbra, onde fomos recebidos por uma atenta bibliotecária. Lá o Manuel e o Diniz fizeram entrega dum exemplar da nossa obra Destreza das Armas, edição do manuscrito MS 208 da biblioteca da Universidade. Ficamos, como sempre, imensamente agradecidos ao pessoal da universidade, e ao das bibliotecas portuguesas, em geral, que de forma continuada amparam as nossas pesquisas.

Continuamos viagem para Tomar, bela cidade cheia de joias arquitetónicas de entre as que é obrigado destacar o complexo de castelo e convento da Ordem de Cristo — uma construção duma beleza imponente que recomendamos de coração visitar se há oportunidade.

Em Tomar decorreram as jornadas anuais da HEMA-Portugal, federação portuguesa de artes marciais históricas europeias, hospedadas este ano pela Thomar Honoris. Lá, junto às interessantíssimas aulas de Karin Verelst, Eugenio Garcia-Salmones, Mátyás Miskolczi, Frederico Martins e Pedro Fonseca, o Ton Puey ministrou várias aulas de roupeira e Montante. Lá juntamo-nos à gente da Sala Viguesa de Esgrima Antiga, que baixara em batalhão para partilhar também as jornadas lusas.

Além destas atividades práticas, a organização concedeu ao nosso companheiro e amigo Manuel Valle Ortiz a distinção de «Mestre de Armas Honorário», pelo seu trabalho liderando a recuperação dos textos portugueses de artes marciais históricas. Eis o discurso de agradecimento lido pelo Manuel em resposta:

Caros senhores e senhoras:

É com grande satisfação que recebo esta homenagem, duvidosamente merecida, fruto do afeto dos amigos que quiseram significar o trabalho feito para recuperar os textos de esgrima portugueses, tarefa que empreendi com audácia, já que não é o português a minha língua materna, mas ao tempo com o carinho de uma escolha apaixonada.

O mérito não é meu, mas do grande grupo de amigos e colaboradores que durante vários anos têm trabalhado na recuperação desses livros quase esquecidos.

Gostaria de mencionar, antes de mais, o Steve Hick e o Eric Myers, que de países remotos demonstraram um interesse considerável pelo património da esgrima portuguesa, especialmente pelos textos mais antigos.

A continuação, todas as pessoas que, da federação AGEA e da Editora, contribuíram para a publicação dos nossos livros: Ton Puey, Denis Fernandez Cabrera, Francisco Castro, Laksmy Irigoyen, Jaime Girona, Tomas Ahola, Manuel Campo, Diego Conde e Tim Rivera. O esforço cooperativo de tantas pessoas foi que nos permitiu chegar a este momento.

Devo salientar também a colaboração indispensável dos bibliotecários portugueses que guardam esses tesouros na Biblioteca Nacional de Lisboa, na Torre do Tombo, na Biblioteca da Ajuda, na Academia de Ciências de Lisboa e na Biblioteca Universitária de Coimbra, quem com grandeza e verdadeiro amor pelos livros facilitaram enormemente as nossas investigações.

E, finalmente, agradecer os nossos amigos portugueses e especialmente o Fernando Brecha, que com o seu entusiasmo nos encorajou a continuar este trabalho.

Apenas demos os primeiros passos neste caminho. Novas gerações virão que continuarão e ampliarão essa tarefa.

Muito obrigado

As jornadas decorreram excelentemente, dando-nos uma nova oportunidade de reforçar laços entre as comunidades praticantes de HEMA da Galiza e Portugal, bem como voltar a nos encontrar com amigas e amigos internacionais. É de destacar a hospitalidade e generosidade da organização, que nos deu de comer nos melhores lugares e nos levou para ver as vistas indispensáveis da cidade.

Deixamos Tomar o domingo com bastante nostalgia para empreender o longo caminho ao Norte, devorando quilómetros segundo caia o sol. Mas a viagem guardava-nos uma última emoção: pouco antes de chegar à altura do Pai Minho o carro deixou de funcionar numa curva da estrada, deixando-nos varados costa arriba no meio da auto-via. Vivemos uns instantes inquietantes enquanto arranjávamos uma recolhida de emergência do nosso carro cheio de roupeiras, espadas longas, montantes, roupa suada e outras armas.

Mas, por fortuna, a conexão com o seguro funcionou bem, e aginha tivemos um guindastre e mais um táxi para recolher as metades mecânica e animal do convoi. Guiando vertiginosamente com a legendária habilidade portuguesa, o taxista deixou-nos em Compostela e a Corunha muito antes do que aguardavamos, de forma que ao chegar pudemos reparar parte do susto com esta medicina que, a modo de presente de despedida, os amigos de Tomar nos enviaram: